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Cripto já faz parte do bolso do brasileiro, e não só da elite
A 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, da Paradigma com o Datafolha, mostra 29 milhões de brasileiros com cripto, a maioria com renda de até três salários mínimos.
Por Redação Esquerda Cripto · 7 min de leitura

Dois em cada três brasileiros já ouviram falar de criptomoedas. E 17,2% da população, cerca de 29 milhões de pessoas, já colocaram dinheiro nelas. Os números são da 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pela Paradigma, primeira casa de pesquisa brasileira especializada em cripto, em parceria com o Datafolha, e divulgada em agosto de 2026.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, presencialmente, em 137 municípios de todas as regiões, entre 11 e 14 de maio de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A primeira edição havia sido feita em dezembro de 2024, com 2.007 entrevistas em 113 municípios, o que permite comparar a evolução em 15 meses.
O estudo teve patrocínio da Coinbase e da Hashdex, empresas do setor, e apoio da ABcripto, a associação que representa o mercado. Esse é um dado relevante para quem lê os resultados, embora a coleta tenha ficado a cargo de um dos institutos mais tradicionais do país.

O conhecimento cresceu, e o Bitcoin lidera
Segundo a pesquisa, 66,4% dos brasileiros conhecem criptomoedas, alta de 10,1 pontos percentuais em relação à edição anterior. Em 15 meses, mais de 17 milhões de pessoas passaram a conhecer o tema.
O Bitcoin é, de longe, a moeda mais lembrada: seis em cada dez brasileiros (60,7%) sabem o que é. Depois vêm Ethereum (11,1%) e o Drex (10,3%), a plataforma de moeda digital do Banco Central. A Tether, stablecoin com o maior volume negociado no mercado nacional, é conhecida por apenas 2,7%.

Mais popular que a bolsa
Os 17,2% que já investiram em cripto formam o que os autores chamam de cripto-população. O grupo já supera, em número, a torcida do Corinthians, estimada em 25 milhões de pessoas pelo Ipsos-Ipec.
Entre as formas de guardar dinheiro, a cripto aparece em quinto lugar, atrás de poupança (57,1%), imóveis (34,0%), dinheiro em casa (30,5%) e fundos de investimento (26,1%). Fica à frente de títulos públicos e CDB (15,1%), dólar (14,0%), ouro (9,8%) e ações na bolsa (7,4%). Na prática, 2,3 vezes mais brasileiros já tiveram cripto do que ações.
A pesquisa registra também uma mudança nos hábitos: 8 milhões de pessoas passaram a investir em fundos nos últimos 15 meses, enquanto 7 milhões deixaram a poupança, o maior abandono entre os investimentos medidos.

Um fenômeno popular
O dado que mais chama atenção desmonta um estereótipo. Entre quem já colocou dinheiro em cripto, 31,6% ganham até um salário mínimo e 31,9% ganham entre um e dois. Somados os que recebem até três salários mínimos, são 77,6% da cripto-população. Só 10,6% ganham mais de cinco salários mínimos.
Para os autores, cripto não é um fenômeno da elite. Para um movimento preocupado com inclusão financeira, a constatação traz uma responsabilidade: se é a base da pirâmide que está entrando nesse mercado, é ela que mais precisa de informação, proteção contra golpes e regras claras.

Cripto e política
A pesquisa também mediu a relação do tema com o voto. Entre quem tem ou já teve cripto, 65,8% acham importante votar em um deputado ou senador comprometido em proteger os direitos de quem tem cripto. O índice sobe para 85,0% entre usuários de corretoras e 89,6% entre quem faz autocustódia, isto é, guarda as próprias chaves.
No espectro político, a cripto-população é mais centrista que a média: 21,6% se colocam no centro, contra 15,5% da população geral. Há menos gente nos extremos, tanto na posição máxima à esquerda (10,3% contra 16,0%) quanto à direita (22,3% contra 26,7%). E apenas 9,9% não sabem ou não se posicionam, contra 16,4% do país.
Os números reforçam uma tese que o Esquerda Cripto defende: o tema não pertence a um único campo político, e quem se ausenta do debate deixa de falar com milhões de eleitores.

O banco virou a porta de entrada
A exposição a cripto se concentra nos bancos. Entre quem já investiu, 83% usaram o aplicativo do próprio banco. Depois vêm a carteira própria (26%), as corretoras especializadas (20%) e os fundos ou ETFs (18%). Segundo o levantamento, 4,2 vezes mais brasileiros já tiveram cripto no banco do que numa exchange.

As desigualdades de gênero e de escolaridade
A diferença entre homens e mulheres ainda é grande. Conhecem cripto 74,6% dos homens e 58,9% das mulheres. Já investiram 23,6% dos homens e 11,3% das mulheres, que são apenas 34,2% da cripto-população. Na autocustódia, há duas vezes mais homens; nas corretoras, 3,2 vezes mais; em fundos e ETFs, 3,8 vezes mais.

Por escolaridade, a novidade é que a cripto chegou à base. O maior crescimento no conhecimento foi entre quem só tem o ensino fundamental, de 25,9% para 38,0%. A pesquisa também perguntou o que dá dinheiro no longo prazo: 16,1% apontam as criptomoedas, índice que chega a 27,5% entre quem tem ensino superior. Já o Jogo do Tigrinho é citado por 2,1% no total e 0,8% entre os mais escolarizados.

Interesse, dúvidas e medos
Entre quem conhece cripto, 59% a veem como uma boa forma de diversificar investimentos, número que sobe para 78% entre jovens de 16 a 24 anos. Mas o entendimento ainda é uma barreira: 77% consideram a tecnologia complexa, e 42% de quem nunca comprou dizem não entender o suficiente.
O levantamento registrou ainda os medos dos brasileiros: 39,2% temem a inflação, 21,1% temem ser substituídos por inteligência artificial no trabalho e 17,2% temem ser demitidos porque a empresa vai mal.

Autocustódia quase dobrou
A parcela de brasileiros que já usou uma carteira própria de cripto subiu de 2,2% em 2025 para 4%, cerca de 6,75 milhões de pessoas. A prática é jovem: chega a 8,3% na faixa de 25 a 34 anos e a apenas 0,3% entre quem tem 60 anos ou mais. Também é mais comum entre homens (6,8%) do que entre mulheres (1,5%).

O Centro-Oeste lidera
O mapa da cripto no Brasil mudou de eixo. O conhecimento cresceu 25,8 pontos no Centro-Oeste, de 47,0% para 72,8%, ritmo 2,6 vezes maior que a média nacional, e a região ultrapassou o Sudeste. No Norte, houve queda de 2,9 pontos.

Por que isso importa
Os dados mostram que a criptoeconomia brasileira já é um fenômeno de massa, popular e diverso, e não um nicho de investidores ricos. Isso torna ainda mais urgente o debate sobre regulação responsável, educação financeira, proteção ao consumidor e redução das desigualdades de gênero e de acesso.
Também mostra que cripto entrou na agenda eleitoral. Ignorar o tema é deixar milhões de brasileiros sem interlocução no campo democrático.

Todos os dados e gráficos desta matéria são da 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pela Paradigma e pelo Datafolha, com patrocínio da Coinbase e da Hashdex e apoio da ABcripto. O relatório completo está disponível nas referências abaixo.
Referências
- 01PARADIGMA; DATAFOLHA. Segunda Pesquisa Nacional das Criptomoedas. Patrocínio: Coinbase e Hashdex. Apoio: ABcripto. São Paulo, agosto de 2026.
- 02PARADIGMA; DATAFOLHA. Pesquisa Nacional das Criptomoedas (1ª edição). Campo de 9 a 11 de dezembro de 2024.
- 03IPSOS-IPEC. Pesquisa sobre torcidas de futebol no Brasil, 2025 (citada no relatório).



